27 abril 2008
06 abril 2008
The lonesone death of Hattie Carroll
Bob Dylan
William Zanzinger killed poor Hattie Carroll
With a cane that he twirled around his diamond ring finger
At a Baltimore hotel society gath'rin'.
And the cops were called in and his weapon took from him
As they rode him in custody down to the station
And booked William Zanzinger for first-degree murder.
But you who philosophize disgrace and criticize all fears,
Take the rag away from your face.
Now ain't the time for your tears.
William Zanzinger, who at twenty-four years
Owns a tobacco farm of six hundred acres
With rich wealthy parents who provide and protect him
And high office relations in the politics of Maryland,
Reacted to his deed with a shrug of his shoulders
And swear words and sneering, and his tongue it was snarling,
In a matter of minutes on bail was out walking.
But you who philosophize disgrace and criticize all fears,
Take the rag away from your face.
Now ain't the time for your tears.
Hattie Carroll was a maid of the kitchen.
She was fifty-one years old and gave birth to ten children
Who carried the dishes and took out the garbage
And never sat once at the head of the table
And didn't even talk to the people at the table
Who just cleaned up all the food from the table
And emptied the ashtrays on a whole other level,
Got killed by a blow, lay slain by a cane
That sailed through the air and came down through the room,
Doomed and determined to destroy all the gentle.
And she never done nothing to William Zanzinger.
But you who philosophize disgrace and criticize all fears,
Take the rag away from your face.
Now ain't the time for your tears.
In the courtroom of honor, the judge pounded his gavel
To show that all's equal and that the courts are on the level
And that the strings in the books ain't pulled and persuaded
And that even the nobles get properly handled
Once that the cops have chased after and caught 'em
And that the ladder of law has no top and no bottom,
Stared at the person who killed for no reason
Who just happened to be feelin' that way without warnin'.
And he spoke through his cloak, most deep and distinguished,
And handed out strongly, for penalty and repentance,
William Zanzinger with a six-month sentence.
Oh, but you who philosophize disgrace and criticize all fears,
Bury the rag deep in your face
For now's the time for your tears.
http://en.wikipedia.org/wiki/The_Lonesome_Death_of_Hattie_Carroll
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Marcos
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5:11 PM
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21 março 2008
Do the evolution
Pearl Jam
I'm ahead, I'm a man
I'm the first mammal to wear pants, yeah
I'm at peace with my lust
I can kill 'cause in God I trust, yeah
It's evolution, baby
I'm at peace, I'm the man
Buying stocks on the day of the crash
On the loose, I'm a truck
All the rolling hills, I'll flatten 'em out, yeah
It's herd behavior, uh huh
It's evolution, baby
Admire me, admire my home
Admire my son, he's my clone
Yeah, yeah, yeah, yeah
This land is mine, this land is free
I'll do what I want but irresponsibly
It's evolution, baby
I'm a thief, I'm a liar
There's my church, I sing in the choir
(hallelujah, hallelujah)
Admire me, admire my home
Admire my son, admire my clones
'Cause we know, appetite for a nightly feast
Those ignorant Indians got nothin' on me
Nothin', why?
Because... it's evolution, baby!
I am ahead, I am advanced
I am the first mammal to make plans, yeah
I crawled the earth, but now I'm higher
2010, watch it go to fire
It's evolution, baby
Do the evolution
Come on, come on, come on
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Marcos
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11:33 AM
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02 março 2008
Julio in Brazil
Espanhol se apresenta em nove cidades brasileiras a partir do dia 1º. Ele traz ao país músicas do álbum 'Romantic classics', de 2006.

Depois de 10 anos longe dos palcos brasileiros, o cantor Julio Iglesias desembarca no país em março para uma turnê por nove cidades. O espanhol se apresenta em Florianópolis (1º), Porto Alegre (4), Curitiba (7), São Paulo (9), Brasília (12), Fortaleza (14), Recife (15), Manaus (19) e Belo Horizonte (25).
Iglesias traz ao Brasil músicas de seu mais recente trabalho, “Romantic classics”. O álbum lançado em 2006 reúne clássicos de diversos gêneros, incluindo canções pop, rock e country que fizeram sucesso nas décadas de 60, 70 e 80 nas vozes de Elvis Presley, George Michael, entre outros.
Durante a turnê o público também irá relembrar hits da consagrada carreira do cantor nascido em Madri em 1943.
Carreira
Durante a juventude, Julio Iglesias se dedicava aos esportes e chegou até a ser goleiro do time júnior do Real Madrid. Aos 20 anos de idade, após um traumático acidente de carro, ele aprendeu a tocar violão e a cantar para passar o tempo durante a recuperação.
Enquanto se familiarizava com o instrumento de cordas, musicou poemas de sua autoria e começou a compor. Voltou a estudar direito na Inglaterra onde, convencido por amigos, se apresentou pela primeira vez num concurso musical do qual saiu vitorioso. Como prêmio, Julio Iglesias assinou contrato com a Columbia Discos.
O cantor alcançou reconhecimento internacional e, hoje, após 77 álbuns, soma mais de 250 milhões de discos vendidos em todo o mundo, em 14 idiomas. Já recebeu 2600 discos de ouro e platina e se apresentou em mais de cinco mil concertos pelo mundo.
Confira as datas e locais dos shows:
01/03 - (sábado) – Florianópolis – Floripa Music Hall
04/03 - (terça-feira) – Porto Alegre – Teatro do Sesi
07/03 - (sexta-feira) – Curitiba – Clube Curitibano
09/03 - (domingo) – São Paulo – Credicard Hall
12/03 - (quarta-feira) – Brasília – Centro de Convenções Ulisses Guimarães
14/03 - (sexta-feira) – Fortaleza – Siara Hall
15/03 - (sábado) – Recife – Chevrolet Hall
19/03 - (quarta-feira) – Manaus – Studio 5
25/03 - (terça-feira) – Belo Horizonte – Chevorlet Hall
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Marcos
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12:12 PM
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23 fevereiro 2008
Les sucettes
France Gall (Serge Gainsbourg)
Ok. Eu sei. É sacana e de duplo sentido, mas a France Gall cantando é sempre hipnótica.
Versão pudica...
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Marcos
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6:04 PM
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01 fevereiro 2008
NOÇÕES
Cecília Meireles
Entre mim e mim, há vastidões bastantes
para a navegação dos meus desejos afligidos.
Descem pela água minhas naves revestidas de espelhos.
Cada lâmina arrisca um olhar, e investiga o elemento que a atinge.
Mas, nesta aventura do sonho exposto à correnteza,
só recolho o gosto infinito das respostas que não se encontram.
Virei-me sobre a minha própria existência, e contemplei-a
Minha virtude era esta errância por mares contraditórios,
e este abandono para além da felicidade e da beleza.
Ó meu Deus, isto é a minha alma:
qualquer coisa que flutua sobre este corpo efêmero e precário,
como o vento largo do oceano sobre a areia passiva e inúmera...
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Marcos
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10:13 PM
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22 janeiro 2008
Poema em linha reta
Álvaro de Campos
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
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Marcos
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12:40 AM
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03 janeiro 2008
Play with fire
The Rolling Stones
Well, you've got your diamonds and you've got your pretty clothes
And the chauffeur drives your car
You let everybody know
But don't play with me, 'cause you're playing with fire
Your mother she's an heiress, owns a block in Saint John's Wood
And your father'd be there with her
If he only could
But don't play with me, 'cause you're playing with fire
Your old man took her diamond's and tiaras by the score
Now she gets her kicks in Stepney
Not in Knightsbridge anymore
So don't play with me, 'cause you're playing with fire
Now you've got some diamonds and you will have some others
But you'd better watch your step, girl
Or start living with your mother
So don't play with me, 'cause you're playing with fire
So don't play with me, 'cause you're playing with fire
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Marcos
às
11:44 AM
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30 dezembro 2007
16 dezembro 2007
Non è un film
Articolo 31
Come Pesava Quello Zaino Sulle Spalle
Per la Strada Della Scuola E La Maturità.
Odiavo Ogni Professore Mi Illudevo
Fosse Una Minaccia Alla Mia Libertà.
Ed Ogni Sera Sopra Lo Schermo
Vedevo Eroi Della Mia Età.
E Io Di Certo Ero Diverso
Ma Ci Credevo In Una Vita Come Al Cinema
Ma Qui Non È Così
Non C'è Il Lieto Fine E Poi Il Buono Perde.
I Tatuaggi Fanno Male Anni Dopo Che Li Hai Fatti
Ma Per Quello Che Ricordano.
Hai Visto Amici Andarsene Prima Del Tempo
E Sei Sicuro Che Dall'alto Ti Proteggano
E Intanto Aspetti Il Colpo Di Scena
Quell'occasione Unica
Che Ti Sistema Ogni Problema
è Lei Che Ti Completerà.
Ma Qui Non È Così
La Trama è Inconsistente
L'Amore non è mai per sempre.
Lei Diceva "Non Lo So"
E Dopo Mi Stringeva Forte Ancora Un Pò
E Diceva Di Non Prenderla Così
"Nasce Cresce Poi Finisce"
E Se Tradisce Ti Sarà Chiaro Che
La Vita Non È Un Film
Ho Il Dubbio Che La Mia Generazione
Muova Una Rivoluzione Immaginaria.
Doveva Essere Un Tramonto
E Il Bene In Trionfo Alla Fine Della Storia.
Ma Qui Non È Così L'immagine È Un Pò Scura
E Il Domani Fa Un Pò Paura.
Lei Diceva "Non Lo So"
E Dopo Mi Stringeva Forte Ancora Un Pò
Mi Diceva Di Non Prenderla Così
"Nasce Cresce Poi Finisce"
E Se Tradisce Ti Sarà Chiaro Che
La Vita Non È Un Film.
Ma Lei Diceva "Non Lo So"
E Dopo Mi Stringeva Forte Ancora Un Pò
Mi Diceva Di Non Prenderla Così
"Nasce Cresce Poi Finisce"
E Se Tradisce Ti Sarà Chiaro Che
La Vita Non È Un Film.
---
Não é um filme
Articolo 31
Como pesava a mochila que eu carregava
Pelo caminho da escola e da maturidade.
Odiava cada professor que me iludia
Como uma ameaça a minha liberdade.
E cada tarde sobre a tela
Eu via heróis da minha época.
E eu com certeza era diferente
Mas acreditava numa vida como a do cinema
Mas aqui não é assim
Não há o final feliz e o bom perde.
As tatuagens fazem mal, anos depois de tê-las ter feito
Mas por aquilo que elas recordam.
Ver os amigos partirem antes do tempo
E estar seguro que do alto eles te protegem
E ainda assim esperar o momento da virada
Aquela ocasião única em que
Todos os seus problemas serão resolvidos
E aquela que te completará.
Mas aqui não é assim
A trama é inconsistente
O amor não é nunca para sempre.
Ela dizia “eu não sei”
E depois de me apertar forte um pouco mais
Me dizia para não prendê-la assim
“Nasce, cresce, depois, acaba”
E se trair, a ti ficará claro que
A vida não é um filme.
Desconfio que minha geração
Mova uma revolução imaginária.
Devia ser um pôr-do-sol
E o triunfo do bem no fim da estória.
Mas aqui não é assim, a imagem é um pouco escura
E o amanhã dá um pouco de medo.
Ela dizia “eu não sei”
E depois de me apertar forte um pouco mais
Me dizia para não prendê-la assim
“Nasce, cresce, depois, acaba”
E se trair, a ti ficará claro que
A vida não é um filme.
Ela dizia “eu não sei”
E depois de me apertar forte um pouco mais
Me dizia para não prendê-la assim
“Nasce, cresce, depois, acaba”
E se trair, a ti ficará claro que
A vida não é um filme.
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Marcos
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02 dezembro 2007
Gustave Dore, The Raven II
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Gustave Dore, The Raven III
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Gustave Dore, The Raven IV
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Gustave Dore, The Raven VI
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4:26 PM
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25 novembro 2007
De onde vem a calma
Los Hermanos (Marcelo Camelo)
De onde vem a calma daquele cara?
Ele não sabe ser melhor, viu?
Como não entende de ser valente
Ele não saber ser mais viril
Ele não sabe não, viu?
Às vezes dá como um frio
É o mundo que anda hostil
O mundo todo é hostil
De onde vem o jeito tão sem defeito
Que esse rapaz consegue fingir?
Olha esse sorriso tão indeciso
Tá se exibindo pra solidão
Não vão embora daqui
Eu sou o que vocês são
Não solta da minha mão
Não solta da minha mão
Eu não vou mudar não
Eu vou ficar são
Mesmo se for só não vou ceder
Deus vai dar aval sim
O mal vai ter fim
E no final assim calado
Eu sei que vou ser coroado rei de mim.
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17 novembro 2007
Ultimatum
Maria Bethânia
Ultimatum
Álvaro de Campos
Mandado de despejo aos mandarins da Europa! Fora.
Fora tu, Anatole-France, Epicuro de farmacopeia-homeopática, ténia-Jaurès do
Ancien-Régime, salada de Renan-Flaubert em louça do século dezassete,
falsificada!
Fora tu, Maurice-Barrès, feminista da Acção, Chateaubriand de paredes nuas,
alcoviteiro de palco da pátria de cartaz, bolor da Lorena, algibebe dos mortos dos outros, vestindo do seu comércio!
Fora tu, Bourget das almas, lamparineiro das partículas alheias, psicólogo de tampa de brasão, reles snob plebeu, sublinhando a régua de lascas os mandamentos da lei da Igreja!
Fora tu, mercadoria Kipling, homem-prático do verso, imperialista das sucatas, épico para Majuba e Colenso, Empire-Day do calão das fardas, tramp-steamer da baixa imortalidade!
Fora! Fora!
Fora tu, George-Bernard-Shaw, vegetariano do paradoxo, charlatão da sinceridade,
tumor frio do ibsenismo, arranjista da intelectualidade inesperada, Kilkenny-Cat de
ti próprio, Irish-Melody calvinista com letra da Origem-das-Espécies!
Fora tu, H. G. Wells, ideativo de gesso, saca-rolhas de papelão para a garrafa da
Complexidade!
Fora tu, G. K. Chesterton, cristianismo para uso de prestidigitadores, barril de
cerveja ao pé do altar, adiposidade da dialéctica cockney com o horror ao sabão
influindo na limpeza dos raciocínios!
Fora tu, Yeats da céltica-bruma à roda de poste sem indicações, saco de podres
que veio à praia do naufrágio do simbolismo inglês!
Fora! Fora!
Fora tu, Rapagnetta-Annunzio, banalidade em caracteres gregos, «D. Juan em
Pathmos» (solo de trombone)!
E tu, Maeterlinck, fogão do Mistério apagado!
E tu Loti, sopa salgada fria!
E finalmente tu, Rostand-tand-tand-tand-tand-tand-tand-tand!
Fora! Fora! Fora!
E se houver outros que faltem, procurem-nos por aí pra um canto!
Tirem isso tudo da minha frente!
Fora com isso tudo! Fora!
Ai! que fazes tu na celebridade, Guilherme-Segundo da Alemanha, canhoto maneta
do braço esquerdo, Bismarck sem tampa a estorvar o lume?!
Quem és tu, tu da juba socialista, David-Lloyd-George, bobo de barrete frígio feito de Union Jacks?!
E tu, Venizelos, fatia de Péricles com manteiga, caída no chão de manteiga para
baixo?
E tu, qualquer outro, todos os outros, açorda Briand-Dato. Boselli da incompetência
ante os factos todos os estadistas pão-de-guerra que datam de muito antes da
guerra! Todos! todos! todos! Lixo, cisco, choldra provinciana, safardanagem
intelectual!
E todos os chefes de estado, incompetentes ao léu, barris de lixo virados para baixo à porta da Insuficiência da Época!
Tirem isso tudo da minha frente!
Arranjem feixes de palha e ponham-nos a fingir gente que seja outra!
Tudo daqui para fora! Tudo daqui para fora!
Ultimatum a eles todos, e a todos os outros que sejam como eles todos!
Senão querem sair, fiquem e lavem-se.
Falência geral de tudo por causa de todos!
Falência geral de todos por causa de tudo!
Falência dos povos e dos destinos — falência total!
Desfile das nações para o meu Desprezo!
Tu, ambição italiana, cão de colo chamado César!
Tu, «esforço francês», galo depenado com a pele pintada de penas! (Não lhe dêem muita corda senão parte-se!)
Tu, organização britânica, com Kitchener no fundo do mar mesmo desde o princípio da guerra!
(It ’s a long, long way to Tipperary and a jolly sight longer way to Berlin!)
Tu, cultura alemã, Esparta podre com azeite de cristismo e vinagre de
nietzschização, colmeia de lata, transbordamento imperialóide de servilismo engatado!
Tu, Áustria-súbdita, mistura de sub-raças, batente de porta tipo K!
Tu, Von Bélgica, heróica à força, limpa a mão à parede que foste!
Tu, escravatura russa, Europa de malaios, libertação de mola desoprimida porque
se partiu!
Tu, «imperialismo» espanhol, salero em política, com toureiros de sambenito nas
almas ao voltar da esquina e qualidades guerreiras enterradas em Marrocos!
Tu, Estados Unidos da América, síntese-bastardia da baixa-Europa, alho da açorda
transatlântica nasal do modernismo inestético!
E tu, Portugal-centavos, resto da Monarquia a apodrecer República, extrema-unção-enxovalho da Desgraça, colaboração artificial na guerra com vergonhas naturais em África!
E tu, Brasil, «república irmã», blague de Pedro-Álvares-Cabral, que nem te queria descobrir!
Ponham-me um pano por cima de tudo isso!
Fechem-me isso à chave e deitem a chave fora!
Onde estão os antigos, as forças, os homens, os guias, os guardas?
Vão aos cemitérios, que hoje são só nomes nas lápides!
Agora a filosofia é o ter morrido Fouillée!
Agora a arte é o ter ficado Rodin!
Agora a literatura é Barrès significar!
Agora a crítica é haver bestas que não chamam besta ao Bourget!
Agora a política é a degeneração gordurosa da organização da incompetência!
Agora a religião é o catolicismo militante dos taberneiros da fé, o entusiasmo
cozinha-francesa dos Maurras de razão-descascada, é a espectaculite dos
pragmatistas cristãos, dos intuicionistas católicos, dos ritualistas nirvânicos,
angariadores de anúncios para Deus!
Agora é a guerra, jogo do empurra do lado de cá e jogo de porta do lado de lá!
Sufoco de ter só isto à minha volta!
Deixem-me respirar!
Abram todas as janelas!
Abram mais janelas do que todas as janelas que há no mundo!
Álvaro de Campos. Revista “Portugal Futurista” , N.º 1 e único - pp. 30-34
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15 novembro 2007
Esta velha angústia
Álvaro de Campos
Esta velha angústia,
Esta angústia que trago há séculos em mim,
Transbordou da vasilha,
Em lágrimas, em grandes imaginações,
Em sonhos em estilo de pesadelo sem terror,
Em grandes emoções súbitas sem sentido nenhum.
Transbordou.
Mal sei como conduzir-me na vida
Com este mal-estar a fazer-me pregas na alma!
Se ao menos endoidecesse deveras!
Mas não: é este estar entre,
Este quase,
Este poder ser que...,
Isto.
Um internado num manicômio é, ao menos, alguém,
Eu sou um internado num manicômio sem manicômio.
Estou doido a frio,
Estou lúcido e louco,
Estou alheio a tudo e igual a todos:
Estou dormindo desperto com sonhos que são loucura
Porque não são sonhos.
Estou assim...
Pobre velha casa da minha infância perdida!
Quem te diria que eu me desacolhesse tanto!
Que é do teu menino? Está maluco.
Que é de quem dormia sossegado sob o teu teto provinciano?
Está maluco.
Quem de quem fui? Está maluco. Hoje é quem eu sou.
Se ao menos eu tivesse uma religião qualquer!
Por exemplo, por aquele manipanso
Que havia em casa, lá nessa, trazido de África.
Era feiíssimo, era grotesco,
Mas havia nele a divindade de tudo em que se crê.
Se eu pudesse crer num manipanso qualquer —
Júpiter, Jeová, a Humanidade —
Qualquer serviria,
Pois o que é tudo senão o que pensamos de tudo?
Estala, coração de vidro pintado!
---
Imagem: "O grito", Edvard Munch.
Cometido por
Marcos
às
4:56 PM
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