Clair de lune
Claude Debussy
"O cinismo consiste em ver as coisas como elas são, não como deveriam ser" -- Oscar Wilde
Articolo 31
Come Pesava Quello Zaino Sulle Spalle
Per la Strada Della Scuola E La Maturità.
Odiavo Ogni Professore Mi Illudevo
Fosse Una Minaccia Alla Mia Libertà.
Ed Ogni Sera Sopra Lo Schermo
Vedevo Eroi Della Mia Età.
E Io Di Certo Ero Diverso
Ma Ci Credevo In Una Vita Come Al Cinema
Ma Qui Non È Così
Non C'è Il Lieto Fine E Poi Il Buono Perde.
I Tatuaggi Fanno Male Anni Dopo Che Li Hai Fatti
Ma Per Quello Che Ricordano.
Hai Visto Amici Andarsene Prima Del Tempo
E Sei Sicuro Che Dall'alto Ti Proteggano
E Intanto Aspetti Il Colpo Di Scena
Quell'occasione Unica
Che Ti Sistema Ogni Problema
è Lei Che Ti Completerà.
Ma Qui Non È Così
La Trama è Inconsistente
L'Amore non è mai per sempre.
Lei Diceva "Non Lo So"
E Dopo Mi Stringeva Forte Ancora Un Pò
E Diceva Di Non Prenderla Così
"Nasce Cresce Poi Finisce"
E Se Tradisce Ti Sarà Chiaro Che
La Vita Non È Un Film
Ho Il Dubbio Che La Mia Generazione
Muova Una Rivoluzione Immaginaria.
Doveva Essere Un Tramonto
E Il Bene In Trionfo Alla Fine Della Storia.
Ma Qui Non È Così L'immagine È Un Pò Scura
E Il Domani Fa Un Pò Paura.
Lei Diceva "Non Lo So"
E Dopo Mi Stringeva Forte Ancora Un Pò
Mi Diceva Di Non Prenderla Così
"Nasce Cresce Poi Finisce"
E Se Tradisce Ti Sarà Chiaro Che
La Vita Non È Un Film.
Ma Lei Diceva "Non Lo So"
E Dopo Mi Stringeva Forte Ancora Un Pò
Mi Diceva Di Non Prenderla Così
"Nasce Cresce Poi Finisce"
E Se Tradisce Ti Sarà Chiaro Che
La Vita Non È Un Film.
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Não é um filme
Articolo 31
Como pesava a mochila que eu carregava
Pelo caminho da escola e da maturidade.
Odiava cada professor que me iludia
Como uma ameaça a minha liberdade.
E cada tarde sobre a tela
Eu via heróis da minha época.
E eu com certeza era diferente
Mas acreditava numa vida como a do cinema
Mas aqui não é assim
Não há o final feliz e o bom perde.
As tatuagens fazem mal, anos depois de tê-las ter feito
Mas por aquilo que elas recordam.
Ver os amigos partirem antes do tempo
E estar seguro que do alto eles te protegem
E ainda assim esperar o momento da virada
Aquela ocasião única em que
Todos os seus problemas serão resolvidos
E aquela que te completará.
Mas aqui não é assim
A trama é inconsistente
O amor não é nunca para sempre.
Ela dizia “eu não sei”
E depois de me apertar forte um pouco mais
Me dizia para não prendê-la assim
“Nasce, cresce, depois, acaba”
E se trair, a ti ficará claro que
A vida não é um filme.
Desconfio que minha geração
Mova uma revolução imaginária.
Devia ser um pôr-do-sol
E o triunfo do bem no fim da estória.
Mas aqui não é assim, a imagem é um pouco escura
E o amanhã dá um pouco de medo.
Ela dizia “eu não sei”
E depois de me apertar forte um pouco mais
Me dizia para não prendê-la assim
“Nasce, cresce, depois, acaba”
E se trair, a ti ficará claro que
A vida não é um filme.
Ela dizia “eu não sei”
E depois de me apertar forte um pouco mais
Me dizia para não prendê-la assim
“Nasce, cresce, depois, acaba”
E se trair, a ti ficará claro que
A vida não é um filme.
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Los Hermanos (Marcelo Camelo)
De onde vem a calma daquele cara?
Ele não sabe ser melhor, viu?
Como não entende de ser valente
Ele não saber ser mais viril
Ele não sabe não, viu?
Às vezes dá como um frio
É o mundo que anda hostil
O mundo todo é hostil
De onde vem o jeito tão sem defeito
Que esse rapaz consegue fingir?
Olha esse sorriso tão indeciso
Tá se exibindo pra solidão
Não vão embora daqui
Eu sou o que vocês são
Não solta da minha mão
Não solta da minha mão
Eu não vou mudar não
Eu vou ficar são
Mesmo se for só não vou ceder
Deus vai dar aval sim
O mal vai ter fim
E no final assim calado
Eu sei que vou ser coroado rei de mim.
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Maria Bethânia
Ultimatum
Álvaro de Campos
Mandado de despejo aos mandarins da Europa! Fora.
Fora tu, Anatole-France, Epicuro de farmacopeia-homeopática, ténia-Jaurès do
Ancien-Régime, salada de Renan-Flaubert em louça do século dezassete,
falsificada!
Fora tu, Maurice-Barrès, feminista da Acção, Chateaubriand de paredes nuas,
alcoviteiro de palco da pátria de cartaz, bolor da Lorena, algibebe dos mortos dos outros, vestindo do seu comércio!
Fora tu, Bourget das almas, lamparineiro das partículas alheias, psicólogo de tampa de brasão, reles snob plebeu, sublinhando a régua de lascas os mandamentos da lei da Igreja!
Fora tu, mercadoria Kipling, homem-prático do verso, imperialista das sucatas, épico para Majuba e Colenso, Empire-Day do calão das fardas, tramp-steamer da baixa imortalidade!
Fora! Fora!
Fora tu, George-Bernard-Shaw, vegetariano do paradoxo, charlatão da sinceridade,
tumor frio do ibsenismo, arranjista da intelectualidade inesperada, Kilkenny-Cat de
ti próprio, Irish-Melody calvinista com letra da Origem-das-Espécies!
Fora tu, H. G. Wells, ideativo de gesso, saca-rolhas de papelão para a garrafa da
Complexidade!
Fora tu, G. K. Chesterton, cristianismo para uso de prestidigitadores, barril de
cerveja ao pé do altar, adiposidade da dialéctica cockney com o horror ao sabão
influindo na limpeza dos raciocínios!
Fora tu, Yeats da céltica-bruma à roda de poste sem indicações, saco de podres
que veio à praia do naufrágio do simbolismo inglês!
Fora! Fora!
Fora tu, Rapagnetta-Annunzio, banalidade em caracteres gregos, «D. Juan em
Pathmos» (solo de trombone)!
E tu, Maeterlinck, fogão do Mistério apagado!
E tu Loti, sopa salgada fria!
E finalmente tu, Rostand-tand-tand-tand-tand-tand-tand-tand!
Fora! Fora! Fora!
E se houver outros que faltem, procurem-nos por aí pra um canto!
Tirem isso tudo da minha frente!
Fora com isso tudo! Fora!
Ai! que fazes tu na celebridade, Guilherme-Segundo da Alemanha, canhoto maneta
do braço esquerdo, Bismarck sem tampa a estorvar o lume?!
Quem és tu, tu da juba socialista, David-Lloyd-George, bobo de barrete frígio feito de Union Jacks?!
E tu, Venizelos, fatia de Péricles com manteiga, caída no chão de manteiga para
baixo?
E tu, qualquer outro, todos os outros, açorda Briand-Dato. Boselli da incompetência
ante os factos todos os estadistas pão-de-guerra que datam de muito antes da
guerra! Todos! todos! todos! Lixo, cisco, choldra provinciana, safardanagem
intelectual!
E todos os chefes de estado, incompetentes ao léu, barris de lixo virados para baixo à porta da Insuficiência da Época!
Tirem isso tudo da minha frente!
Arranjem feixes de palha e ponham-nos a fingir gente que seja outra!
Tudo daqui para fora! Tudo daqui para fora!
Ultimatum a eles todos, e a todos os outros que sejam como eles todos!
Senão querem sair, fiquem e lavem-se.
Falência geral de tudo por causa de todos!
Falência geral de todos por causa de tudo!
Falência dos povos e dos destinos — falência total!
Desfile das nações para o meu Desprezo!
Tu, ambição italiana, cão de colo chamado César!
Tu, «esforço francês», galo depenado com a pele pintada de penas! (Não lhe dêem muita corda senão parte-se!)
Tu, organização britânica, com Kitchener no fundo do mar mesmo desde o princípio da guerra!
(It ’s a long, long way to Tipperary and a jolly sight longer way to Berlin!)
Tu, cultura alemã, Esparta podre com azeite de cristismo e vinagre de
nietzschização, colmeia de lata, transbordamento imperialóide de servilismo engatado!
Tu, Áustria-súbdita, mistura de sub-raças, batente de porta tipo K!
Tu, Von Bélgica, heróica à força, limpa a mão à parede que foste!
Tu, escravatura russa, Europa de malaios, libertação de mola desoprimida porque
se partiu!
Tu, «imperialismo» espanhol, salero em política, com toureiros de sambenito nas
almas ao voltar da esquina e qualidades guerreiras enterradas em Marrocos!
Tu, Estados Unidos da América, síntese-bastardia da baixa-Europa, alho da açorda
transatlântica nasal do modernismo inestético!
E tu, Portugal-centavos, resto da Monarquia a apodrecer República, extrema-unção-enxovalho da Desgraça, colaboração artificial na guerra com vergonhas naturais em África!
E tu, Brasil, «república irmã», blague de Pedro-Álvares-Cabral, que nem te queria descobrir!
Ponham-me um pano por cima de tudo isso!
Fechem-me isso à chave e deitem a chave fora!
Onde estão os antigos, as forças, os homens, os guias, os guardas?
Vão aos cemitérios, que hoje são só nomes nas lápides!
Agora a filosofia é o ter morrido Fouillée!
Agora a arte é o ter ficado Rodin!
Agora a literatura é Barrès significar!
Agora a crítica é haver bestas que não chamam besta ao Bourget!
Agora a política é a degeneração gordurosa da organização da incompetência!
Agora a religião é o catolicismo militante dos taberneiros da fé, o entusiasmo
cozinha-francesa dos Maurras de razão-descascada, é a espectaculite dos
pragmatistas cristãos, dos intuicionistas católicos, dos ritualistas nirvânicos,
angariadores de anúncios para Deus!
Agora é a guerra, jogo do empurra do lado de cá e jogo de porta do lado de lá!
Sufoco de ter só isto à minha volta!
Deixem-me respirar!
Abram todas as janelas!
Abram mais janelas do que todas as janelas que há no mundo!
Álvaro de Campos. Revista “Portugal Futurista” , N.º 1 e único - pp. 30-34
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Álvaro de Campos
Esta velha angústia,
Esta angústia que trago há séculos em mim,
Transbordou da vasilha,
Em lágrimas, em grandes imaginações,
Em sonhos em estilo de pesadelo sem terror,
Em grandes emoções súbitas sem sentido nenhum.
Transbordou.
Mal sei como conduzir-me na vida
Com este mal-estar a fazer-me pregas na alma!
Se ao menos endoidecesse deveras!
Mas não: é este estar entre,
Este quase,
Este poder ser que...,
Isto.
Um internado num manicômio é, ao menos, alguém,
Eu sou um internado num manicômio sem manicômio.
Estou doido a frio,
Estou lúcido e louco,
Estou alheio a tudo e igual a todos:
Estou dormindo desperto com sonhos que são loucura
Porque não são sonhos.
Estou assim...
Pobre velha casa da minha infância perdida!
Quem te diria que eu me desacolhesse tanto!
Que é do teu menino? Está maluco.
Que é de quem dormia sossegado sob o teu teto provinciano?
Está maluco.
Quem de quem fui? Está maluco. Hoje é quem eu sou.
Se ao menos eu tivesse uma religião qualquer!
Por exemplo, por aquele manipanso
Que havia em casa, lá nessa, trazido de África.
Era feiíssimo, era grotesco,
Mas havia nele a divindade de tudo em que se crê.
Se eu pudesse crer num manipanso qualquer —
Júpiter, Jeová, a Humanidade —
Qualquer serviria,
Pois o que é tudo senão o que pensamos de tudo?
Estala, coração de vidro pintado!
---
Imagem: "O grito", Edvard Munch.
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Los Hermanos
Composição: Marcelo Camelo
É de lágrima
Que faço o mar pra navegar
Vamo lá!
Eu não vi, não, final
Sei que o daqui
Teimou de vir, tenaz assim
Feito passarim
É de mágica
Que eu dobro a vida em flor
Assim!
E ao senhor de iludir
Manda avisar, que esse daqui
Tem muito mais amor pra dar
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Marcos
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8:29 AM
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Cecília Meireles+Abril-maio+1890.jpg)
Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias, e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
– Em que espelho ficou perdida
a minha face?
MEIRELES, Cecília. Obra poética. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1985.
Imagem: Van Gogh, Old man in sorrow (on the threshold of eternity), Abril-maio de 1890.
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Marcos
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11:02 PM
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"Only two things are infinite, the universe and human stupidity, and I’m not sure about the former."
-- Albert Einstein, Cientista (1879-1955)
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Marcos
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7:28 PM
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The Muppets
Para a camarada Anna Raíssa, especialista e pós-doutorada em "Maná, maná".
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Marcos
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11:05 AM
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Perturbazione
Agosto
è il mese più freddo dell’anno
L’inverno si sposta sei mesi in avanti
e non è il polo sud
qui non è il polo sud
Agosto
La sveglia che rompe il silenzio
Qualcuno è in vacanza
e lei suona per ore
che freddo che fa
Agosto
ti affacci su un cuore malato
le cinque di sera ed è già buio pesto
l’inverno d’agosto
Il ghiaccio
si posa e ricopre le cose
l’attesa del caldo congela anche i morti
che freddo che fa
Se non è vero che hai paura
non è vero che ti senti solo
non è vero che fa freddo
allora perché tremi in questo agosto?
Agosto
è scritto sul tuo calendario
forse hai dormito sei mesi
ma sei così stanco
tanto stanco
Agosto
è il mese più freddo dell’anno
nell’altro emisfero lo chiamano inverno
l’agosto
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Marcos
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12:37 AM
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The Velvet Underground
Stephanie says that she wants to know
Why she's given half her life, to people she hates now
Stephanie says when answering the phone
What country shall I say is calling from across the world
But she's not afraid to die, the people all call her Alaska
Between worlds so the people ask her 'cause it's all in her mind
It's all in her mind
Stephanie says that she wants to know
Why it is though she's the door She can't be the room
Stephanie says but doesn't hang up the phone
What sea shell she is calling from across the world
But she's not afraid to die, the people all cal her Alaska
Between worlds so the people ask her 'cause it's all in her mind
It's all in her mind
She asks you is it good or bad
It's such an icy feeling it's so cold in Alaska,
it's so cold in Alaska, it's so cold in Alaska
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Marcos
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12:26 PM
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