Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil, Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita, Indesculpavelmente sujo, Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho, Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo, Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas, Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante, Que tenho sofrido enxovalhos e calado, Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda; Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel, Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes, Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar, Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado Para fora da possibilidade do soco; Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas, Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho, Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia; Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia! Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam. Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil? Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses! Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado, Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca! E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído, Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear? Eu, que venho sido vil, literalmente vil, Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
Well, you've got your diamonds and you've got your pretty clothes And the chauffeur drives your car You let everybody know But don't play with me, 'cause you're playing with fire
Your mother she's an heiress, owns a block in Saint John's Wood And your father'd be there with her If he only could But don't play with me, 'cause you're playing with fire
Your old man took her diamond's and tiaras by the score Now she gets her kicks in Stepney Not in Knightsbridge anymore So don't play with me, 'cause you're playing with fire
Now you've got some diamonds and you will have some others But you'd better watch your step, girl Or start living with your mother So don't play with me, 'cause you're playing with fire So don't play with me, 'cause you're playing with fire
Come Pesava Quello Zaino Sulle Spalle Per la Strada Della Scuola E La Maturità. Odiavo Ogni Professore Mi Illudevo Fosse Una Minaccia Alla Mia Libertà. Ed Ogni Sera Sopra Lo Schermo Vedevo Eroi Della Mia Età.
E Io Di Certo Ero Diverso Ma Ci Credevo In Una Vita Come Al Cinema Ma Qui Non È Così Non C'è Il Lieto Fine E Poi Il Buono Perde.
I Tatuaggi Fanno Male Anni Dopo Che Li Hai Fatti Ma Per Quello Che Ricordano. Hai Visto Amici Andarsene Prima Del Tempo E Sei Sicuro Che Dall'alto Ti Proteggano E Intanto Aspetti Il Colpo Di Scena Quell'occasione Unica Che Ti Sistema Ogni Problema è Lei Che Ti Completerà.
Ma Qui Non È Così La Trama è Inconsistente L'Amore non è mai per sempre.
Lei Diceva "Non Lo So" E Dopo Mi Stringeva Forte Ancora Un Pò E Diceva Di Non Prenderla Così "Nasce Cresce Poi Finisce" E Se Tradisce Ti Sarà Chiaro Che La Vita Non È Un Film
Ho Il Dubbio Che La Mia Generazione Muova Una Rivoluzione Immaginaria. Doveva Essere Un Tramonto E Il Bene In Trionfo Alla Fine Della Storia. Ma Qui Non È Così L'immagine È Un Pò Scura E Il Domani Fa Un Pò Paura.
Lei Diceva "Non Lo So" E Dopo Mi Stringeva Forte Ancora Un Pò Mi Diceva Di Non Prenderla Così "Nasce Cresce Poi Finisce" E Se Tradisce Ti Sarà Chiaro Che La Vita Non È Un Film.
Ma Lei Diceva "Non Lo So" E Dopo Mi Stringeva Forte Ancora Un Pò Mi Diceva Di Non Prenderla Così "Nasce Cresce Poi Finisce" E Se Tradisce Ti Sarà Chiaro Che La Vita Non È Un Film.
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Não é um filme Articolo 31
Como pesava a mochila que eu carregava Pelo caminho da escola e da maturidade. Odiava cada professor que me iludia Como uma ameaça a minha liberdade. E cada tarde sobre a tela Eu via heróis da minha época.
E eu com certeza era diferente Mas acreditava numa vida como a do cinema Mas aqui não é assim Não há o final feliz e o bom perde.
As tatuagens fazem mal, anos depois de tê-las ter feito Mas por aquilo que elas recordam. Ver os amigos partirem antes do tempo E estar seguro que do alto eles te protegem E ainda assim esperar o momento da virada Aquela ocasião única em que Todos os seus problemas serão resolvidos E aquela que te completará.
Mas aqui não é assim A trama é inconsistente O amor não é nunca para sempre.
Ela dizia “eu não sei” E depois de me apertar forte um pouco mais Me dizia para não prendê-la assim “Nasce, cresce, depois, acaba” E se trair, a ti ficará claro que A vida não é um filme.
Desconfio que minha geração Mova uma revolução imaginária. Devia ser um pôr-do-sol E o triunfo do bem no fim da estória. Mas aqui não é assim, a imagem é um pouco escura E o amanhã dá um pouco de medo.
Ela dizia “eu não sei” E depois de me apertar forte um pouco mais Me dizia para não prendê-la assim “Nasce, cresce, depois, acaba” E se trair, a ti ficará claro que A vida não é um filme.
Ela dizia “eu não sei” E depois de me apertar forte um pouco mais Me dizia para não prendê-la assim “Nasce, cresce, depois, acaba” E se trair, a ti ficará claro que A vida não é um filme.
De onde vem a calma daquele cara? Ele não sabe ser melhor, viu? Como não entende de ser valente Ele não saber ser mais viril Ele não sabe não, viu? Às vezes dá como um frio É o mundo que anda hostil O mundo todo é hostil
De onde vem o jeito tão sem defeito Que esse rapaz consegue fingir? Olha esse sorriso tão indeciso Tá se exibindo pra solidão Não vão embora daqui Eu sou o que vocês são Não solta da minha mão Não solta da minha mão
Eu não vou mudar não Eu vou ficar são Mesmo se for só não vou ceder Deus vai dar aval sim O mal vai ter fim E no final assim calado Eu sei que vou ser coroado rei de mim.
Mandado de despejo aos mandarins da Europa! Fora. Fora tu, Anatole-France, Epicuro de farmacopeia-homeopática, ténia-Jaurès do Ancien-Régime, salada de Renan-Flaubert em louça do século dezassete, falsificada! Fora tu, Maurice-Barrès, feminista da Acção, Chateaubriand de paredes nuas, alcoviteiro de palco da pátria de cartaz, bolor da Lorena, algibebe dos mortos dos outros, vestindo do seu comércio! Fora tu, Bourget das almas, lamparineiro das partículas alheias, psicólogo de tampa de brasão, reles snob plebeu, sublinhando a régua de lascas os mandamentos da lei da Igreja! Fora tu, mercadoria Kipling, homem-prático do verso, imperialista das sucatas, épico para Majuba e Colenso, Empire-Day do calão das fardas, tramp-steamer da baixa imortalidade! Fora! Fora! Fora tu, George-Bernard-Shaw, vegetariano do paradoxo, charlatão da sinceridade, tumor frio do ibsenismo, arranjista da intelectualidade inesperada, Kilkenny-Cat de ti próprio, Irish-Melody calvinista com letra da Origem-das-Espécies! Fora tu, H. G. Wells, ideativo de gesso, saca-rolhas de papelão para a garrafa da Complexidade! Fora tu, G. K. Chesterton, cristianismo para uso de prestidigitadores, barril de cerveja ao pé do altar, adiposidade da dialéctica cockney com o horror ao sabão influindo na limpeza dos raciocínios! Fora tu, Yeats da céltica-bruma à roda de poste sem indicações, saco de podres que veio à praia do naufrágio do simbolismo inglês! Fora! Fora! Fora tu, Rapagnetta-Annunzio, banalidade em caracteres gregos, «D. Juan em Pathmos» (solo de trombone)! E tu, Maeterlinck, fogão do Mistério apagado! E tu Loti, sopa salgada fria! E finalmente tu, Rostand-tand-tand-tand-tand-tand-tand-tand! Fora! Fora! Fora! E se houver outros que faltem, procurem-nos por aí pra um canto! Tirem isso tudo da minha frente! Fora com isso tudo! Fora! Ai! que fazes tu na celebridade, Guilherme-Segundo da Alemanha, canhoto maneta do braço esquerdo, Bismarck sem tampa a estorvar o lume?! Quem és tu, tu da juba socialista, David-Lloyd-George, bobo de barrete frígio feito de Union Jacks?! E tu, Venizelos, fatia de Péricles com manteiga, caída no chão de manteiga para baixo? E tu, qualquer outro, todos os outros, açorda Briand-Dato. Boselli da incompetência ante os factos todos os estadistas pão-de-guerra que datam de muito antes da guerra! Todos! todos! todos! Lixo, cisco, choldra provinciana, safardanagem intelectual! E todos os chefes de estado, incompetentes ao léu, barris de lixo virados para baixo à porta da Insuficiência da Época! Tirem isso tudo da minha frente! Arranjem feixes de palha e ponham-nos a fingir gente que seja outra! Tudo daqui para fora! Tudo daqui para fora! Ultimatum a eles todos, e a todos os outros que sejam como eles todos! Senão querem sair, fiquem e lavem-se.
Falência geral de tudo por causa de todos! Falência geral de todos por causa de tudo! Falência dos povos e dos destinos — falência total! Desfile das nações para o meu Desprezo! Tu, ambição italiana, cão de colo chamado César! Tu, «esforço francês», galo depenado com a pele pintada de penas! (Não lhe dêem muita corda senão parte-se!) Tu, organização britânica, com Kitchener no fundo do mar mesmo desde o princípio da guerra! (It ’s a long, long way to Tipperary and a jolly sight longer way to Berlin!) Tu, cultura alemã, Esparta podre com azeite de cristismo e vinagre de nietzschização, colmeia de lata, transbordamento imperialóide de servilismo engatado! Tu, Áustria-súbdita, mistura de sub-raças, batente de porta tipo K! Tu, Von Bélgica, heróica à força, limpa a mão à parede que foste! Tu, escravatura russa, Europa de malaios, libertação de mola desoprimida porque se partiu! Tu, «imperialismo» espanhol, salero em política, com toureiros de sambenito nas almas ao voltar da esquina e qualidades guerreiras enterradas em Marrocos! Tu, Estados Unidos da América, síntese-bastardia da baixa-Europa, alho da açorda transatlântica nasal do modernismo inestético! E tu, Portugal-centavos, resto da Monarquia a apodrecer República, extrema-unção-enxovalho da Desgraça, colaboração artificial na guerra com vergonhas naturais em África! E tu, Brasil, «república irmã», blague de Pedro-Álvares-Cabral, que nem te queria descobrir! Ponham-me um pano por cima de tudo isso! Fechem-me isso à chave e deitem a chave fora! Onde estão os antigos, as forças, os homens, os guias, os guardas? Vão aos cemitérios, que hoje são só nomes nas lápides! Agora a filosofia é o ter morrido Fouillée! Agora a arte é o ter ficado Rodin! Agora a literatura é Barrès significar! Agora a crítica é haver bestas que não chamam besta ao Bourget! Agora a política é a degeneração gordurosa da organização da incompetência! Agora a religião é o catolicismo militante dos taberneiros da fé, o entusiasmo cozinha-francesa dos Maurras de razão-descascada, é a espectaculite dos pragmatistas cristãos, dos intuicionistas católicos, dos ritualistas nirvânicos, angariadores de anúncios para Deus! Agora é a guerra, jogo do empurra do lado de cá e jogo de porta do lado de lá! Sufoco de ter só isto à minha volta! Deixem-me respirar! Abram todas as janelas! Abram mais janelas do que todas as janelas que há no mundo!
Álvaro de Campos. Revista “Portugal Futurista” , N.º 1 e único - pp. 30-34
Esta velha angústia, Esta angústia que trago há séculos em mim, Transbordou da vasilha, Em lágrimas, em grandes imaginações, Em sonhos em estilo de pesadelo sem terror, Em grandes emoções súbitas sem sentido nenhum.
Transbordou. Mal sei como conduzir-me na vida Com este mal-estar a fazer-me pregas na alma! Se ao menos endoidecesse deveras! Mas não: é este estar entre, Este quase, Este poder ser que..., Isto.
Um internado num manicômio é, ao menos, alguém, Eu sou um internado num manicômio sem manicômio. Estou doido a frio, Estou lúcido e louco, Estou alheio a tudo e igual a todos: Estou dormindo desperto com sonhos que são loucura Porque não são sonhos. Estou assim...
Pobre velha casa da minha infância perdida! Quem te diria que eu me desacolhesse tanto! Que é do teu menino? Está maluco. Que é de quem dormia sossegado sob o teu teto provinciano? Está maluco. Quem de quem fui? Está maluco. Hoje é quem eu sou.
Se ao menos eu tivesse uma religião qualquer! Por exemplo, por aquele manipanso Que havia em casa, lá nessa, trazido de África. Era feiíssimo, era grotesco, Mas havia nele a divindade de tudo em que se crê. Se eu pudesse crer num manipanso qualquer — Júpiter, Jeová, a Humanidade — Qualquer serviria, Pois o que é tudo senão o que pensamos de tudo?